Educação Médica

 

 

 

 

 

26/03/2018 - Meta-análise mostra prevalência de ansiedade, depressão e uso de álcool entre estudantes de medicina brasileiros

26/03/2018 - Taxa alarmante de burnout em estudantes de medicina 

20/05/2017 - Médicos devem fazer uma pausa antes de postar em redes sociais, diz novo estudo

01/06/2016 - Tecnologia e Falibilidade na Investigação Prática Médico Legal 

23/11/2015 - Tribunal de Contas suspende abertura de novos cursos de medicina

22/10/2015 - 91% dos brasileiros querem 'exame da ordem' para médicos, mostra pesquisa  

       

 

 

Meta-análise mostra prevalência de ansiedade, depressão
e uso de álcool entre estudantes de medicina brasileiros    

26/03/2018

Roxana Tabakman


Um estudo que analisou 18 mil estudantes de medicina brasileiros mostrou alta prevalência de transtornos de saúde mental nesta população, em especial ansiedade, uso de álcool e depressão.

A pesquisa publicada na Revista Brasileira de Psiquiatria em 2017[1], foi realizada nas bases de dados MEDLINE/PubMed, PsycINFO, SciELO e LILACS, sobre trabalhos que tinham sido publicados até 29 de setembro de 2016, sendo que a maioria foi publicado na última década. Para serem incluídos, os estudos transversais por questionário deviam reportar prevalência de ao menos um transtorno mental diagnosticável, sintomas ou ideação suicida e ter sido realizados com alunos de escolas de medicina do Brasil.

Foram excluídas pesquisas com estudantes que não fossem de medicina, estudos que usaram instrumentos não validados para o português e para a população brasileira, ou aqueles em que os problemas de saúde mental não eram o principal foco da pesquisa. Os autores referem ter incluido finalmente 59 estudos na análise qualitativa e 57 na análise quantitativa. A mostra total foi de 18.015 indivíduos.

"Esta pesquisa começou por uma notícia lida no Facebook,sobre uma estudante de medicina que se suicidou", contou por telefone ao Medscape o primeiro autor do trabalho, o estudante da Faculdade de Medicina da Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (EMESCAM), João Pedro Gonçalves Pacheco. "Quando fui procurar informação, vi que se falava muito sobre o problema, mas não havia nenhuma revisão sistemática. Havia, sim, do exterior, mas estas não incluíam as bases de dados SciELO e LILACS, e, portanto, não captavam as pesquisas brasileiras."

"Nossos dados põem em evidência que o transtorno mais prevalente entre os estudantes de medicina brasileiros é a ansiedade, com uma prevalência 32,9%", diz o pesquisador. [Nota dos Editores: IC de 95%, 22,0 - 44,9]. "Encontramos também uma prevalência alta de uso problemático de álcool: 32,9%, e de depressão: 30,6%." No caso da depressão, a prevalência desta variou significativamente quando se consideraram outros pontos de corte. "Quando a análise considerava a gravidade do transtorno, a depressão leve (mild) teve uma prevalência de 23,3%, depressão moderada ficou com 8,4%, e a grave, com 2,1%." [Nota dos Editores: para uso problemático de álcool, (IC de 95%, 29,3 - 36,6); depressão, (IC de 95%, 24,0 - 37,7); depressão leve, (IC de 95%, 19,3 - 27,6); depressão moderada, (IC de 95%, 5,4 - 12,0); depressão grave, (IC de 95%, 0,8 - 4,0)]

A análise também mostrou que no Brasil há áreas mais estudadas do que outras. No caso de depressão, os autores conseguiram incluir 25 estudos, mas trabalhos mais gerais sobre transtornos mentais comuns foram apenas 13. Outros foram ainda mais limitados, como por exemplo burnout (três estudos), ou baixa qualidade do sono (quatro estudos). Os dados de uso problemático de álcool provêm de apenas três estudos. Eles referem não terencontrado estudos de prevalência de transtornos psicóticos e de personalidade que pudessem ser incluídos.

"A pesquisa está bem-feita, ajuda a validar o que a clínica já mostra", disse a Dra. Katia Burle dos Santos Guimarães, psiquiatra e psicanalista, conselheira responsável pela Câmara Técnica de Psiquiatria do Conselho Regional de Medicina SP (Cremesp), que não esteve envolvida no trabalho. Ela é autora e organizadora do livro "Saúde Mental do Médico e do Estudante de Medicina" [2] .

Estratificados por região, os dados publicados sugerem que os estudantes do Sudeste são os mais afetados pelos transtornos mentais comuns (38,1%; IC de 95%, 29,5 - 47,15), seguidos pelos do Nordeste (31,5%; IC de 95%, 26,1 - 37,1), sendo que a prevalência mais baixa foi detectada no Sul (21,1%; IC de 95%, 18,9 - 23,6).

Em relação ao ciclo de estudos, o mais problemático em relação aos transtornos mentais comuns parece ser o clínico, com uma prevalência de 42,8% (35,3 - 50,3) e, na sequência, o básico, com 37,4% (31,1 - 43,8) e a residência, com 34,6% (24,5 - 45,2). O gênero feminino foi significativamente associado com depressão, ansiedade e estresse. Já o masculino foi mais associado a burnout.


Estudante especial

O estresse do estudante de medicina do Brasil tem, segundo a Dra. Katia, é multifatorial. "Ele enfrenta o estresse relacionado à formação médica, a necessidade de lidar com a dor e o sofrimento, mas também as projeções que são feitas sobre ele, a sobrecarga de horas de estudo, a redução da vida social, o aumento da demanda, a competição, as dificuldades de sono", enumera ela.

"Não tem a ver com a metodologia de estudo da faculdade, mas com o conteúdo e as expectativas. Ao mesmo tempo, o aluno vê a degradação da figura do médico".

"O conhecimento dos problemas mentais dos estudantes existe há tempo", diz ela, se referindo a trabalhos feitos na década de 60, "mas o problema vem aumentando". A especialista não hesita em afirmar que "a situação psíquica dos estudantes de medicina é preocupante, um fato, aliás, conhecido por todos porque já foi divulgado que há muitos suicídios e muitas tentativas de suicídio."


Depressão e suicídio

O trabalho brasileiro inclui um único estudo reportando a prevalência atual de ideação suicida e desesperança por meio de ferramentas validadas e padronizadas. As taxas encontradas nesse estudo foram 13,4% e 95%, respectivamente. Nos Estados Unidos, uma recente meta-análise com foco na depressão e no suicídio entre estudantes de medicina, liderada pelo Dr. l. Rotenstein, da Harvard University, e publicada no JAMA[3], mostrou que os sintomas depressivos alcançavam 27,2% dos estudantes americanos, e 11,1% relatavam ideação suicida.

"Todas as pesquisas chegam à mesma conclusão da qual falamos há mais de três décadas, ou seja, a necessidade da prevenção", acrescenta a Dra. Katia, que co-criou, em 1995, o Núcleo de Atendimento aos Discentes da Faculdade de Medicina de Marília (Famema), onde permaneceu por 22 anos. Ela apoia a ideia – que já está sendo implementada em algumas universidades do país – de um serviço de atendimento psicológico e psiquiátrico para todos os alunos de medicina.

"Mas é preciso também oferecer, já no primeiro ano, uma palestra que desfaça preconceitos e explique como funciona o serviço, assim como uma entrevista individual. A entrevista não deve ser uma avaliação, mas um primeiro contato para que o aluno conheça e saiba quem o pode ajudá-lo caso necessário."

A experiência na Famema para este primeiro contato é, segundo a psiquiatra, de 90% de comparecimento.

Sem tratamento durante o período de estudo, os problemas mentais dos alunos podem se agravar, no futuro, pela habitual sensação de onipotência dos médicos, diz a Dra. Katia.

"Sem estar familiarizado com a possibilidade de pedir ajuda, o médico provavelmente vai tentar resolver os próprios problemas com automedicação, desconsiderando terapias não medicamentosas. E as consequências podem ser graves. Pelo contrário, se o aluno aproveitar o atendimento que é oferecido na faculdade, pode chegar à formatura assintomático e, se no futuro enfrentar problemas, vai saber lidar e buscar ajuda mais cedo".

No âmbito da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM) foi criado em 2015 o Fórum dos Serviços de Apoio ao Estudante de Medicina (FORSA COBEM). Um relatório de 2017[4] indicou que a estrutura física e os recursos humanos ligados a essa atividade têm sido negligenciados por parte de muitas faculdades

 


      

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Taxa alarmante de burnout em estudantes de medicina 

26/03/2018

Liam Davenport
 
NICE, França — Quase metade dos estudantes de medicina apresenta burnoutmesmo antes de chegar à residência, o que pode colocá-los em maior risco de depressão e de abandonar a faculdade, sugere uma nova pesquisa.
 
Em uma meta-análise de mais de 16.500 estudantes de medicina, o Dr. Ariel Frajerman, Centre Hospitalier Sainte Anne, em Paris (França), e colaboradores, descobriram que quase 46% dos estudantes sofriam de burnout, com exaustão emocional sendo o sintoma mais comum.
 
Descrevendo os resultados como "alarmantes", os pesquisadores observaram que existe "uma necessidade urgente de desenvolver estratégias preventivas para melhorar o bem-estar e a saúde mental dos estudantes de medicina".
 
Os resultados foram apresentados no congresso da European Psychiatric Association (EPA) 2018.

 
Burnout antes da residência
 
Dr. Frajerman explicou que as origens da análise atual estão em parte em dois estudos publicados há cerca de 10 anos.
 
A primeira foi uma revisão sistemática publicada em 2006 sobre estresse psicológico entre estudantes de medicina canadenses. Nessa revisão, não foram encontrados estudos de burnout.
 
O segundo foi uma revisão sobre burnout entre os residentes médicos publicada um ano depois. Para essa análise, foram identificados 19 artigos publicados entre 1975 e 2005; a prevalência de burnout foi entre 18% e 82%.
 
"Neste período, não se espera que estudantes de medicina tenham burnoutantes da residência, enquanto que em residentes, isso é muito alto", disse o Dr. Frajerman.
 
Para determinar a prevalência de burnout em estudantes de medicina antes da residência, a equipe realizou uma pesquisa sistemática do Medline para todos os estudos publicados em inglês entre 2010 e 2017.
 
Estudos foram incluídos se avaliaram burnout usando questionários validados; o questionário preferido foi o Maslach Burnout Inventory. A partir de 5440 artigos identificados inicialmente, foram selecionados para a meta-análise 23 estudos, envolvendo 16.769 estudantes de medicina.
 
 
Exaustão emocional
 
Os pesquisadores determinaram que 8011 estudantes de medicina estavam sofrendo de burnout, correspondendo a uma taxa estimada de prevalência global de 45,8%.
 
A prevalência foi maior nos países do Oriente Médio, o que, segundo o Dr. Frajerman provavelmente reflete as condições de trabalho ruins da região, resultantes da guerra e do terrorismo constantes.
 
A prevalência de burnout pareceu ser mais alta na América do Norte do que na Europa. No entanto, o Dr. Frajerman destacou que apenas quatro dos estudos incluídos foram realizados na Europa, muito menos do que na América.
 
Os dados de prevalência para subescalas do Maslach Burnout Inventoryestavam disponíveis em apenas oito estudos, envolvendo um total de 6926 estudantes de medicina.
 
Estes dados mostraram que 42,2% dos alunos apresentaram exaustão emocional, 25,8% sofreram de despersonalização, e apenas 21,2% tiveram sentido de realização pessoal.
 
Colocando os resultados em contexto, o Dr. Frajerman disse que uma revisãode 2013 por Waguih Ishak e colaboradores, encontrou nove estudos de burnout em estudantes de medicina, publicados entre 1974 e 2011. Nestes estudos, a prevalência esteve entre 45% e 71%.
"Ao longo de quase 40 anos, eles encontraram apenas nove estudos, enquanto que em nove anos nós encontramos 23 estudos. Portanto, é um assunto recente de interesse em estudos médicos", afirmou. Os resultados mostram que "o burnout em estudantes de medicina é muito frequente, por isso deve ser levado em consideração".
 
 
A culpa é da carga horária?
 
Além disso, uma meta-análise publicada em 2016 mostrou que a prevalência de depressão entre estudantes de medicina foi de 27,2%, e que a prevalência de ideação suicida foi de 11,1%.
 
"Então não temos desculpas", disse o Dr. Frajerman. "Sabemos que há uma saúde mental ruim em estudantes de medicina, mesmo antes da residência".
Ele observou que, muitas vezes, o burnout é reconhecido apenas mais tarde.
 
"Dessa forma, se quisermos melhorar isso, devemos tratar o assunto precocemente, para evitar o surgimento de burnout, porque ele é o sintoma mais frequente e é um fator de risco para depressão e abandono do curso".
 
Perguntado por um membro da audiência sobre as causas do burnout, Dr. Frajerman disse que estudos anteriores sugerem que a ocorrência de burnoutestá ligada à quantidade de tempo em serviço.
 
"Quanto mais você trabalha, mais você está em risco de burnout", disse ele. Isso significa que as escolas de medicina precisam ser "mais estritas" ao estabelecer limites sobre a quantidade de tempo que os alunos trabalham, disse ele.
 
Outros estudos mostraram que programas de relaxamento e outras atividades organizadas pela faculdade diminuem o burnout, porque os estudantes sentem que o bem-estar deles está sendo considerado e porque tais atividades ajudam a reduzir as taxas de depressão.
 
O presidente da sessão, Dr. Guillaume Vaiva, Centre Hospitalier Régional Universitaire de Lille, perguntou se o burnout durante a faculdade de medicina era preditivo de burnout mais tarde na vida.
 
Dr. Frajerman explicou que não há estudos de longo prazo sobre o burnout, mas que a condição entre estudantes de medicina é preditiva de depressão e de abandono da faculdade.
 
 
Pressão pela excelência
 
Após a sessão, o Medscape discutiu os resultados com dois membros da EPA, nenhum dos envolvido na meta-análise.
 
O Dr. Jordan Sibeoni, Argenteuil Hospital Center (França), disse que não ficou surpreso com o nível de burnout relatado, acrescentando que a educação médica "é difícil. É necessário trabalhar muito, e existe esse ideal de excelência. É necessário alto desempenho para se destacar".
 
Na universidade onde ele atua, os psiquiatras consultam estudantes de medicina uma vez por mês, se eles precisam de conselhos, orientação ou algum suporte psicológico ou psiquiátrico.
 
"E recebemos muitos estudantes de medicina", disse Dr. Sibeoni.
 
"Na maioria das vezes são aspectos de ansiedade ou depressão que podem estar relacionados ao burnout. Os mais problemáticos são aqueles que repetem muitos anos, então os seis anos de curso se tornam 10 anos, e há essa ideia de que nunca terá fim".
 
"Às vezes, por causa do sistema, eles não passam em apenas um exame de 10 ou 20 provas, e precisam fazer o ano todo novamente; sentem-se completamente devastados por isso", acrescentou.
 
A Dra. Ana Moscoso, Hospital Pitié-Salpêtrière, de Paris (França), concordou, observando que, por sua própria natureza, os estudantes são vulneráveis. O burnout ocorre "na interface com o sistema, com a instituição, então é preciso considerar tudo isso".
 
Se uma instituição descobre que os níveis de burnout entre os alunos são altos, "é necessário abordar esta questão, porque algo claramente não está indo bem", acrescentou a Dra. Ana.
 
 
Responsabilidade individual ou institucional?
 
A seguir, o Dr. Sibeoni questionou se é responsabilidade de uma universidade médica cuidar do bem-estar de um estudante, ou se é responsabilidade do indivíduo procurar ajuda quando preciso.
 
"Eu acredito que por depressão e ansiedade, talvez esta seja uma responsabilidade individual. Mas quando se fala sobre burnout, deve ser o hospital de ensino e a universidade que devem agir", disse ele.
 
O "ambiente em geral entre colegas também é algo que definitivamente é importante", acrescentou a Dra. Ana.
 
"Se fizermos um paralelo com o nosso campo da psiquiatria, a evidência mostra que se você trabalha em um ambiente onde é confrontado com pacientes difíceis, ou com muita carga de trabalho, mesmo que essas coisas possam desempenhar um papel no burnout, o ponto mais importante é a saúde mental da instituição", disse a Dra. Ana.
 
"Há também a questão do treinamento", disse Dr. Sibeoni. Ele observou que participou de uma revisão sistemática sobre como a empatia é ensinada aos estudantes de medicina. Os resultados mostraram que a maioria dos alunos não recebeu nenhum treinamento formal.
 
"Eles sequer sabem que é o assunto é ensinável. Eles até dizem que os estudos de medicina, como estão, fazem com que eles sintam que não devem ser empáticos, que devem esconder as emoções, e sempre estar no controle", disse ele.
 
"Em muitos estudos, pode-se observar que a empatia é um fator protetor para o burnout. Portanto, se você ensina os estudantes de medicina a não serem empáticos, também é como um fator de estresse para o burnout".
 
Os pesquisadores, o Dr. Sibeoni e Dra. Ana declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

 
Congresso da European Psychiatric Association (EPA) 2018. Resumo OR0050, apresentado em 5 de março de 2018.
 
  
 
 

      

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Médicos devem fazer uma pausa antes de postar
em redes sociais, diz novo estudo     

20/05/2017

Liz Neporent

Em 2011, uma médica da sala de emergência em Rhode Island foi demitida e multada pelo conselho estadual por comentar na postagem do Facebook de uma enfermeira que trazia as nádegas de um paciente. Ninguém mencionou o nome do paciente, mas a médica revelou informações suficientes para que outros na comunidade identificassem o indivíduo, comprometendo claramente a dignidade do paciente e potencialmente violando leis nacionais do Health Insurance Portability and Accountability Act (HIPAA) de 1996.

Naquela época, as redes sociais eram relativamente novas, mas a maioria das pessoas esperaria que médicos se comportassem melhor do que de forma tão antiprofissional em um fórum público. Um novo estudo sugere o contrário.

Dentre 281 recém-formados na especialização de Urologia, 201 (72%) possuíam perfis públicos identificáveis no Facebook, relatam os pesquisadores em um artigo publicado on-line em 9 de abril no periódico BJU International.

Desses médicos, 80 (40%) incluíram conteúdo potencialmente censurável ou questionável nas próprias linhas de tempo. A maioria das postagens ofensivas foi escrita pelos próprios médicos, mais do que por um "amigo", e médicos e médicas fizeram postagens inapropriadas em números iguais.

O conteúdo questionável mais comum nas mídias sociais dos urologistas era relacionado à profanação não censurada, discussões sobre tópicos sensíveis como política e religião, e referências ou representações de intoxicação, comportamento sexual ou roupas esquisitas. Dois por cento das postagens denegriam um colega ou local de trabalho, e outros 1% descreviam comportamento ilegal.

Embora menos de 3% dos médicos no estudo tenham postado detalhes explícitos ou privados sobre seus pacientes, o fato de que um médico o faria sob qualquer circunstância é perturbador, disse o Dr. Kevin Koo, autor principal do estudo e urologista no Dartmouth-Hitchcock Medical Center,em Lebanon, New Hampshire, ao Medscape.

"Está muito claro que esse tipo de informação deveria permanecer protegida e confidencial. O fato de alguém postar especificidades de um caso que possam ser relacionadas ao paciente é certamente muito preocupante", disse o Dr. Koo.

Os autores não investigaram se o comportamento on-line dos urologistas também se dá em outras especialidades, mas o Dr. Koo disse que, na medida em que mais profissionais médicos utilizam as redes sociais, existe maior oportunidade para mau uso e abuso. E, embora as mídias sociais sejam uma ferramenta poderosa, que pode ajudar a comunidade médica, melhorar tratamentos clínicos e rapidamente disseminar resultados de pesquisas, ela também tem potenciais inconvenientes, acrescentou.

Uma política séria de mídias sociais pode evitar maiores problemas, mas o Dr. Koo admite que não está claro quantos consultórios e sistemas médicos têm diretrizes formais sobre o tema.

Uma das coisas mais importantes a se ter em mente ao se postar em mídias sociais é como você manterá a confiança na profissão e na relação médico-paciente, aconselhou o Dr. Koo.

"Você deve pensar sobre coisas como a intenção de suas postagens, como você manterá a confidencialidade, e o que fará para manter princípios éticos", disse ele.

Não misture os limites entre o profissional e o pessoal, continuou o Dr. Koo. Considere o quanto é apropriado exibir seus detalhes pessoais em contas de mídia social. E, pelo mesmo princípio, comunicações eletrônicas, incluindo mídia social e e-mail, devem ser usadas apenas em uma relação médico-paciente estabelecida, e com consentimento do paciente.

A consideração cuidadosa dos limites entre médico e paciente nas mídias sociais é primordial, enfatizou o Dr. Koo. Ele recomendou ter um plano para como você responderá a solicitações como pacientes que pedem conselhos médicos, ou uma resposta a situações de emergência.

Por fim, disse o Dr. Koo, os médicos nunca devem esquecer a natureza permanente das postagens em mídias sociais, observando que elas persistem mesmo após serem deletadas. E o que você posta publicamente pode ter futuras implicações profissionais, alertou.

Embora o Dr. Koo não utilize aplicativos para compartilhamento de informações como Medscape Consult ou Figure1, ele lembrou que aqueles que o fazer precisam ser cuidadosos e não fornecer tanta informação sobre um caso a ponto de infringir a privacidade do paciente.

"Embora as plataformas sejam promissoras, precisamos continuar a monitorar nosso próprio comportamento de forma a agir no melhor interesse dos pacientes", disse o Dr. Koo.


Estabelecendo uma política

Para instituições e profissionais em busca de um guia para criar as próprias políticas de mídias sociais, o Dr. Koo recomenda começar com diretrizes lançadas em conjunto pelo American College of Physicians e pela Federation of State Medical Boards,em 2013. Elas delineiam critérios específicos para médicos navegarem nas mídias sociais de forma profissional e ética. No entanto, o estabelecimento de melhores práticas, políticas e posicionamentos não é suficiente se a equipe não sabe que eles existem, destacou o Dr. Koo.

"As instituições precisam se certificar de que seus empregados estão conscientes de suas políticas e de que as seguem", disse ele.

A intenção do estudo não foi criar um julgamento sobre médicos que usam mídias sociais, destacou o Dr. Koo. Mais que isso, os pesquisadores procuraram esclarecer a realidade contemporânea encarada pelos médicos, e lembrar aos profissionais que eles devem aderir aos mesmos padrões elevados quando estão off-line ou on-line.

"O que dizemos e fazemos nas mídias sociais pode impactar no tratamento de nossos pacientes, e também em como somos vistos como profissionais – da mesma forma que no mundo real", disse ele.

Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

BJU Int. Publicado on-line em 9 de abril de 2017. 

 


      

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Tecnologia e Falibilidade na Investigação Prática Médico Legal      

01/06/2016

O Conselheiro do CRM-SC e professor Zulmar Vieira Coutinho ministrará o curso de extensão Tecnologia e Falibilidade na Investigação Prática Médico Legal, na Unisul, nos dias 30 de junho e 1º de julho. “O objetivo é capacitar o aluno a ter um olhar do conjunto das evidências de um fato médico legal, relativizar provas técnicas, tecnológicas, com ênfase ao DNA, e reconhecer que as provas técnicas não são infalíveis”, adianta Coutinho.

Com aulas expositivas e dialogadas, o curso é presencial e tem como público-alvo profissionais e estudantes da área da saúde, alunos e bacharéis em Direito, profissionais da área policial, pericial e jurídica. Os participantes receberão o livro Exames em DNA - A Verdade Técnica e Ética Além dos 99,99%, de autoria de Coutinho, para ser utilizado durante as aulas.


SERVIÇO

Dias: 30/6 e 1/7/2016, das 19h às 22h.

Local: Unisul - Campus Grande Florianópolis. Rua Trajano, 219 – Centro – Florianópolis

Inscrições: até o dia 18 de junho, pelo site www.unisul.br/InscricoesPortal/identificacao.jsf?ACAD_CAREER=EXT&USL_AGRP_PP=908&USL_MODALI_CURSO=P&UNIDADE=28 

 


      

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Tribunal de Contas suspende abertura de novos cursos de medicina    

24/11/2015

Por DIMMI AMORA
FLÁVIA FOREQUE

DE BRASÍLIA

A abertura de 2.290 vagas de medicina no país foi suspensa pelo TCU (Tribunal de Contas da União) diante de supostas irregularidades na criação dos novos cursos.

Há dois anos, na esteira do programa Mais Médicos, o governo federal passou a indicar os municípios em que poderiam ser abertas novas vagas de medicina.

A partir dessa lista, coube ao MEC, então, selecionar as melhores propostas de faculdades particulares interessadas na disputa.

Essa seleção, entretanto, motivou questionamentos na Justiça e recursos ao TCU, que decidiu paralisar o processo até análise final do plenário. O caso é relatado pela ministra Ana Arraes. O órgão de controle pode anular o processo.

Inicialmente previsto para junho, o resultado final da seleção ainda não foi confirmado. O principal motivo do conflito é a exigência, prevista no edital, de "capacidade econômico-financeira" das mantenedoras.

As escolas argumentam que o documento não explicitou a forma como esse critério seria avaliado, nem indicou que a tarefa caberia à FGV Projetos, contratada pelo ministério.

"A FGV estabeleceu nota de 1 a 10 e disse: 'abaixo da nota 6, não tem condições de abrir [curso de medicina]'. Isso deveria estar no edital, e não estava", reconheceu o ministro Aloizio Mercadante (Educação) em audiência na Câmara dos Deputados.

Para a ministra responsável pelo tema no TCU, os procedimentos adotados "descumpriram princípios basilares" da Lei de Licitações.

"Admitir a publicidade posterior dos critérios de classificação propiciaria ao gestor mal-intencionado escolher a vencedora que lhe aprouvesse", disse a ministra Ana Arraes em despacho.

Ao todo, o edital motivou sete ações na Justiça.

"Fomos desclassificados na primeira fase sem saber o porquê. E esse modelo de avaliação [da saúde financeira] não é aplicável a instituições sem fins lucrativos", argumenta Antonio da Motta, representante da Unece (União de Educação e Cultura), mantenedora que recorreu ao TCU.

Procurado pela reportagem, o MEC afirmou que a metodologia adotada pela FGV é "adequada aos termos do edital". A pasta chegou à pedir ao TCU que o processo fosse retomado, "diante de graves prejuízos para o Programa Mais Médicos", mas não obteve sucesso.

O MEC destacou ainda que encaminhou seus argumentos diante da "decisão cautelar" do tribunal, tomada no mês passado. "O MEC já adotou todos os procedimentos cabíveis para a revisão da medida cautelar determinada pelo TCU, prestando as informações pertinentes à ministra Ana Arraes. No momento, o ministério aguarda a decisão do Tribunal para anunciar a nova data de divulgação dos resultados", informou em nota.

Entre as metas do programa federal, está a criação de 11,5 mil novas vagas de medicina até 2017. 


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2015/11/1709919-tribunal-de-contas-suspende-abertura-de-novos-cursos-de-medicina.shtml



      

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91% dos brasileiros querem 'exame da ordem'
para médicos, mostra pesquisa      

22/10/2015

Nove em cada dez brasileiros desejam que os médicos passem por um "exame da ordem" antes de ingressar no mercado de trabalho, como ocorre hoje com advogados.

É o que revela pesquisa Datafolha com 4.060 pessoas de todas as regiões do país, encomendada pela APM (Associação Paulista de Medicina). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Segundo o levantamento, só 22% dos entrevistados consideram que a qualificação dos médicos tenha melhorado nos últimos anos.

A percepção de piora tende a ser maior nas regiões metropolitanas do que no interior (42% contra 31%).

A aplicação de um exame como o da ordem não é consenso. O Ministério da Educação e o CFM (Conselho Federal de Medicina) defendem que os alunos sejam avaliados periodicamente durante o curso, não no final.

O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) aplica há 11 anos um teste para os recém-formados em medicina no Estado de São Paulo. Nesse período, a taxa de reprovação tem sido acima de 50%.

Apesar de ser exame obrigatório para obtenção do registro do conselho, mesmo quem vai mal nele não é impedido de exercer a profissão. O conselho não pode, por força de lei, condicionar o registro ao resultado da prova. Para isso, seria preciso alterar a legislação federal.

No Estado de São Paulo, várias instituições passaram a utilizar o exame do Cremesp como critério para o ingresso na residência médica e no mercado de trabalho.

"É um exame reconhecido nacionalmente, apoiado pela população e que tem colocado na deriva os conselhos médicos contra", afirma o cardiologista Bráulio Luna Filho, presidente do Cremesp.

Para Florisval Meinão, presidente da APM, o exame paulista tem mostrado que a formação médica é um problema muito sério. "E que tende a piorar com a abertura desenfreada de novas escolas médicas sem as menores condições", afirma.

Para ele, é urgente que o país institua um exame no final do curso, a exemplo do que fazem os Estados Unidos e países da Europa.

 

MINISTÉRIO

Em nota, o Ministério da Educação informou que, a partir do segundo semestre de 2016, todos os estudantes de medicina do país deverão realizar uma prova progressiva no 2º, 4º e 6º anos.

"Os exames terminais [como o do Cremesp] responsabilizam unicamente o estudante por eventuais problemas no aprendizado, não gerando impacto para os processos de avaliação da instituição de ensino. Os exames de progresso resolvem o problema na fonte."

Eles também serão critério classificatório para a seleção dos programas de residência médica, com previsão de acesso a partir de 2019.

O ministério diz que os cursos de medicina do país também passarão por processos de avaliação externa a partir de março de 2016. 


Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/10/1696972-91-dos-brasileiros-querem-exame-da-ordem-para-medicos-mostra-pesquisa.shtml



      

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